Clipping Cigel: Pesquisa garante o diferencial

A Cigel foi notícia no Portal Valor, confira a matéria publicada ontem, 31/03/14.

 

Pesquisa garante o diferencial

 Pequenos e médios fabricantes de cosméticos do Ceará, Santa Catarina e Rio de Janeiro estão investindo no relacionamento comercial com distribuidores regionais e em pesquisas de novos produtos com universidades para enfrentar as grandes empresas do setor.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), há 2.426 empresas no mercado - e apenas 20 organizações são de grande porte. O setor apresentou um crescimento médio de 10% ao ano, nos últimos 17 anos, passando de um faturamento líquido de R$ 4,9 bilhões, em 1996, para R$ 34 bilhões, em 2012.

Em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, a Cigel Industrial produz 14 linhas de produtos com a marca Alyne. São mais de 140 itens, entre xampus, água oxigenada e desodorantes. "A empresa começou como uma pequena fábrica, em casa", lembra o fundador e presidente Paulo Gurgel. Hoje, conta com uma planta de 15 mil m² de área, planeja a quarta ampliação. Emprega 229 funcionários diretos e 500 indiretos.

A Cigel faturou R$ 27,5 milhões em 2013 e quer avançar para R$ 32 milhões em 2014. O investimento planejado para este ano é de cerca de R$ 1 milhão, valor 40% maior que o montante aplicado em 2013. "Além da expansão fabril, estamos ampliando a cartela de produtos, a força de vendas e o número de praças atendidas", diz. As mercadorias são entregues para distribuidoras, atacadistas e lojas em 13 Estados.

"Estimamos um aumento de 15% na produção a partir do segundo trimestre de 2014", afirma.

Para enfrentar a concorrência, a Cigel usa essências e insumos importados e investe no relacionamento com atacadistas. "Atenção e proximidade são armas poderosas nas relações comerciais, principalmente nas regiões Norte e Nordeste", explica Gurgel.

"Como nossa verba de marketing é menor do que a dos concorrentes, criamos um comitê de inteligência de mercado que analisa os nichos em que a atuação dos principais players é incipiente."

Em Florianópolis, a Lielos Cosméticos deve investir cerca de R$ 1 milhão, em 2014, o dobro aplicado em 2013, em novas embalagens e na revitalização de mercadorias.

"Fechamos contrato com Warner Bros para usar a personagem Penélope Charmosa em xampus e cremes de pentear que chegarão ao mercado este mês", diz o sócio-diretor Bruno Rebouças.

A marca catarinense existe há pouco mais de dois anos. Antes de abrir a empresa, Rebouças, que trabalha com mais dois sócios, havia trabalhado sete anos no mercado de cosméticos. "Montamos uma equipe de farmacêuticos para o desenvolvimento dos produtos e começamos com sete itens, entre protetores solares e dermocosméticos".

Hoje, são 33 itens, inclusive bloqueadores para o público infantil, que usam personagens licenciadas da fabricante de brinquedos americana Mattel.

A Lielos faturou R$ 1 milhão em 2013 e espera triplicar o resultado este ano. "Os produtos licenciados nos tiraram da sazonalidade do verão, que dominava a nossa linha inicial", explica. As mercadorias da fabricante estão em sete mil pontos de vendas. Somente a linha solar infantil atinge uma produção mensal de cerca de 30 mil unidades. "As redes de supermercados e farmácias deveriam dar mais oportunidades às pequenas e médias marcas", diz.

Para Leila Velez, presidente e sócia-fundadora da Cor Brasil Cosméticos, com fábrica no Rio de Janeiro), o setor também poderia dar passos mais largos com um melhor ambiente de negócios. "Precisamos de maior acesso ao crédito e mais incentivo à pesquisa e desenvolvimento", diz. A marca foi criada dentro da rede de salões Beleza Natural, também de Leila, especializados em cabelos crespos e ondulados.

Cansada de brigar com fornecedores pela qualidade dos produtos que usava nos salões, a empresária resolveu abrir uma fábrica própria em 1993. "O mercado não olhava para o nicho dos cabelos crespos", lembra. Atualmente, a Cor Brasil produz cerca de 300 toneladas de mais de 50 itens, ao mês, vendidos nos 18 salões Beleza Natural, além de fazer entregas pelo telefone. A meta para 2014 é crescer 30%.

O processo de desenvolvimento dos produtos é focado nas sugestões dos clientes nos salões, segundo Leila. Os principais consumidores são homens e mulheres das classes B e C, entre 18 e 45 anos, que têm cabelos crespos e ondulados, mas não desejam alisá-los. A marca costurou parcerias com o Polo de Biotecnologia do Rio de Janeiro (Bio Rio) e com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), da Universidade Nacional de Brasília (UnB), para a pesquisa de novos tratamentos. Um estudo feito

com a UnB pesquisou mais de 300 mulheres cacheadas, durante dois anos. Classificou os fios de cabelos em quatro tipos e ajudou a criar 16 novos itens para a fabricante.

De acordo com Leila, a produção da marca deve aumentar nos próximos anos com a ampliação da rede de salões. O plano é chegar a 120 lojas em cinco anos. Somente no ano passado, a empresa inaugurou sete pontos e entrou no mercado paulista. "Neste primeiro trimestre, chegaremos a Belo Horizonte", diz.

 

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